Sudeste Asiático em estilo telegráfico

Dia 11 de Agosto de 2015, fez um mês que me fiz à estrada para passar por cinco países e inúmeras cidades e vilas do Sudeste asiático. Uma viagem com dois tempos bem distintos. Primeiramente em família, com um grupo “grande” de seis pessoas, que passou a cinco com o regresso da Joana a casa. Posteriormente um resto de viagem, a sós, pelo Camboja, onde fui conhecendo o seu povo e vários companheiros de viagem. Quando, no final de 2014, comecei a preparar esta viagem nunca pensei que ela fosse ser uma das minhas melhores de sempre.

Um mês não parece muito. Mas quando recordo (ou tento recordar) as experiências por que passei, mais parecem seis meses. Deixo aqui algumas notas de viagem (algumas gerais e a maioria por ordem cronológica) e umas fotografias, as mais representativas e talvez demais, para as acompanhar. Provavelmente vai parecer-vos os devaneios de um de um louco… Mas aqui vai:

Chegar ao Sudeste Asiático a Banguecoque e sentir o calor húmido e pesado; Fugir a sete pés ou apenas refrescar com a chuva da monção; Pôr os chinelos nos pés; Os restaurantes locais e as suas as comidas fantásticas e as caganeiras que as acompanham; Tomar conta das Tias; Os fantásticos e atribulados jantares de família, com a eterna pergunta “spicy?”; As conversas, por skype, com as minhas filhas; Ver cidades cheias de crianças e visitar as escolas locais; Os milhares de monges e freiras de Myanmar; Ser de Portugui a terra do Ci Ronaldo; Os nossos motoristas, barqueiros, motoqueiros e tuk-tuk drivers; A simpatia interminável do povo de Myanmar; O não acabar de pagodas, mosteiros e stupas em Myanmar; As casas de chá – milk tea please; Andar de barco no Lago Inle; Parece que todo o ser humano deste planeta já tem um telemóvel; Ir a um casamento no Lago Inle com comida para todos (para mim não, a barriga não permitiu); Ouvir a ladainha das crianças durante as aulas; Ver a força do Budismo em Myanmar; Tentar conseguir sair para a rua de manhã à hora combinada (um feito não alcançado); Os templos de Mandalay (tira chinelos, põe chinelos…); andar de moto (à pendura); O “nosso” restaurante em Mandalay. -Spicy? – pergunta a Tia - No Spicy. – responde o empregado – Está picante! – diz a Tia, enquanto tosse compulsivamente (por efeito do picante) depois de provar a comida; As melhores espetadas da viagem (e as mais picantes); mais caganeira; a surpresa que foi Monywa, a sua pagoda com milhares de budas, as grutas de Pho Win Taung e o segundo Buda mais alto do Mundo; Usar, mal, muito mal, o longi (uma espécie de saia usada pelos homens em Myanmar); Alugar três motos sem avisar (as penduras e a condutora Joana) e percorrer de moto os milhares de templos de Bagan; pela primeira vez na minha vida dizer: - a água da piscina está quente demais; Subir o Monte Popa e perder uma Tia; O autocarro nocturno de Bagan para Yangon com a Joana doente (desmaia/não desmaia); Yangon, a cidade onde todas as etnias e religiões de Myanmar se encontram, onde as motos estão proibidas e o trânsito é infernal; Os carros com o volante no lado errado (parece que vieram todos emigrados de Inglaterra); O mercado de carne mais “pesado” que vi (e cheirei); Cidade de rua, onde tudo se passa (as minhas preferidas); Fugir da chuva e encontrar um fantástico restaurante de rua; Já parava de chover! Mas não parou; Shwedagon Pagoda. A mãe de todas as Pagodas; Joana regressa a Lisboa. Boa Viagem!; De carro para Mawlamyine com arrozais a perder de vista e atravessar pontes sobre rios magníficos. Chegar ao destino e ver o Mar; Jantar num restaurante de rua em Mawlamyine (com os ratos a passar ao largo); “Lu Du”, a casa de chá preferida de toda a viagem; Mais arrozais. Que paisagens!; Kyauk Ka Lat Pagoda (uma das grandes surpresas da viagem); O André tem uma introdução ao Budismo; Golden Rock com chuva, frio e nevoeiro; A caminho de Ankor; Chegada a Siem Reap (no Camboja) ou será que estou em Albufeira?; Batman Driver is in the house (o nosso tuk-tuk driver); Isto é época baixa? Depois da paz de Myanmar não estou preparado para um turismo de massas!; Coreanos e Chineses: Os reis das selfies; As Tias às compras; Afinal há templos com pouca gente; O som nasalado da língua Khmer; O André achava que ao nascer do Sol não havia turistas. Wrong!; Tias às compras; Comer insectos? Hoje não; De dia está sol e à tarde chove; Aldeia flutuante; Adeus resto da família. Fiquei sozinho; Fábrica de Noodles. A ASAE ainda não passou aqui. Mas quem pode recusar uns noodles acabadinhos de fazer; - Dog food? – Porque raio haveria de querer comida de cão? Ah! Afinal o cão é a comida; Finalmente um bom restaurante local (e barato) em Siem Reap e os melhores noodles da viagem; Conhecer duas taiwanesas (Eddie e a Luciana) aprender sobre a cultura chinesa (de Taiwan); As casas típicas de madeira do Camboja; De Barco para Battambang onde seis horas se transformaram em quase dez; Apanhar uma escalda num pé; Em Battambang e o “verdadeiro” Camboja; Bambu train; Segurar as lágrimas ao ouvir o relato de um sobrevivente ao regime dos Khmer Vermelhos; Comer um gafanhoto; Não comer uma ratazana; A melhor piscina da viagem. Ler e descansar; Passear pelas aldeias, templos, mosteiros e escolas de Battambang; Conversar e perceber as cicatrizes e a vida dura do povo Khmer; Phnom Penh uma cidade que deve ser vista e vivida, não apenas visitada; O Mekong é castanho e azul. Não consigo explicar como. Mas é; Conhecer o Gonçalo, outro viajante solitário e meu companheiro de Phnom Penh; Ir aos campos da morte e prisão S-21 e acabar a manhã sem palavras; Compensar a manhã acabando o dia bebendo copos e trocando histórias, com vista para o Mekong, no Foreigner Correspondent Club (entre dois portugueses e um americano); Ver os mercados de Phnom Penh e a vida nas margens do Mekong; Andar um mês de chinelos nos pés; Jantar em Singapura; Chegar ao Dubai às 5:00h e estarem 37°C e às 14:00h uns impossíveis de suportar 47°C; Entrar num Dowh que carrega mercadoria com destino ao Irão; Ver o prédio mais alto do Mundo numa cidade de betão; voltar para casa; ser abraçado pelas minhas filhas e pela Joana.