Um chá no Lu Du

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Há aqueles lugares que nos ficam na memória. Agarram-se como lapas. Esta casa de chá em Moulmein (Mawlamyine em inglês) é um deles.

Andávamos, eu e o meu primo André, a deambular pela rua principal (a cidade tem basicamente duas ruas, esta, mais interior, e a outra a marginal) e a captar o início do dia nesta pequena cidade. Era bem cedo e entrámos no Lu Du, uma das poucas lojas já abertas. Cá fora, num velho fogão a lenha U Toe Kyinn fazia chá com leite (parecido com o massala chai da Índia, mas não tão bom, mas que compensa por levar, também, leite condensado). Dificilmente consigo escapar a um chá com leite pela manhã. E esta casa de chá era magnética, daqueles locais que chamam por nós.

As casas de chá em Myanmar são instituições, como para nós estão alguns cafés. Aqui para além de, obviamente, podermos tomar um chá, podem-se também comer (e bem) uns snacks locais. Mas as casas de chá são, acima de tudo, um lugar de encontro, onde as pessoas se sentam sem olhar para o relógio a falar com os amigos ou então, simplesmente, a ler as últimas no jornal.

Mas esta é mesmo especial. Ao entrar deparei-me com mesas de madeira de um tom amarelado rodeadas de bancos singelos. São mesas sólidas bem usadas, mas com um ar de que estão aqui para ficar. Tal como os clientes da casa. Estes vão lendo o jornal enquanto fumam o seu cigarro (um gesto ao qual estou, cada vez, menos habituado). Ou trincando qualquer coisa para acompanhar o chá.

Ao fundo da sala fica um bonito móvel, de madeira escura, que parece servir de dispensa e de separador para a zona de serviço. As paredes pintadas, descuidadamente, de um dos lados de um azul esverdeado bem forte, do outro uma chapa amarelada, fugida de um qualquer barraco, fazem um inesperado contraste, e dão-lhe um ambiente estranhamente acolhedor.

Num pequeno palanque, perto da entrada está Daw Shu Yone, a dona, qual general, controla daí o serviço e o caixa. Para completar o ambiente, sempre que eu parava mais que um minuto no mesmo sítio, vinham dois ou três gatinhos enroscar-se nos meus pés (e, com jeito, ainda consegui pisar um deles).

Enfim, um daqueles lugares mágicos que ajudam a fazer uma viagem…