Nas Aldeias de Bajawa - Flores - Indonésia

No verão de 2016 estive, cerca de um mês, no Sudeste Asiático. Passei por Singapura e Malásia. Mas, a maior parte dos dias foi passada na Indonésia. Aí fiquei quase três semanas na Ilha de Flores. Um dos locais que mais me marcou foi Bajawa e as aldeias que a circundam.

Bajawa é uma pequena cidade de montanha no distrito de Ngada. É um destino turístico fora do circuito “main stream” de Flores. Apenas com uma dúzia de pequenos hotéis e pensões.

A cidade situa-se a 1.200m de altitude e tem um clima muito próprio. As noites chegam a ser frias e o capacete de nuvens quase nunca deixa ver o horizonte. Porém, a região de Bajawa é bem mais que a sua cidade. Ela está coberta com uma floresta luxuriante, daquele verde que até dói de olhar, e vários vulcões activos. Mas, o emblema da região são as muitas aldeias tradicionais do povo Ngada, plantadas à volta do Gunung Inerie, o mais imponente vulcão da região. Dizem que nas suas colinas se cultiva um dos melhores cafés do mundo!

Ao contrário das muitas aldeias “típicas” que costumo encontrar, estas coexistem com o turismo, e não, por enquanto, para ele. As únicas ligações ao turismo são o guest book que somos convidados a assinar (e a fazer uma pequena contribuição) e os panos e sarongues artesanais que estão pendurados, para venda, nas pequenas casas de madeira. Tirando isso, vamos vendo a vida a desenrola-se à nossa volta.

As aldeias, como muitas na Indonésia, têm, no seu centro, um grande espaço comunitário que serve para quase tudo. Aqui é colocado o café a secar, os cães dormem ao sol e as galinhas passeiam descontraidamente. Neste espaço também se enterram os mortos, em sepulturas despretensiosas que rapidamente passam a fazer parte do “mobiliário urbano” que as crianças usam nas suas brincadeiras. As casas de madeira, orgulhosamente decoradas e bem alinhadas, demarcam os limites da aldeia.

As aldeias são muitas, e apesar de distantes umas das outras, algumas são facilmente visitáveis de carro (ou melhor ainda de moto). Outras são remotas e requerem um trekking com um guia local. Aproveite o tempo para intercalar a visita às aldeias com outras actividades (para não fartar). As fontes termais, com água quentinha do vulcão, são bem boas para uma pausa relaxante. Visitar uma plantação de café é outro passeio marcante. Já viu de onde vem aquele pó castanho que bebemos?

Comece por Bena, a mais visitada delas todas. A partir daí é sempre a melhorar. Wogo, Belaraghi, Gurusina, e as ainda menos visitadas Bela, Tololela e Luba, são nome que, apesar de confusos, vão ficar na sua memória (todas elas de fácil acesso).

Ryan Soi Radjo, um guia local, pode explicar-lhe a história da região e leva-lo a algumas aldeias que estão fora do circuito automóvel, leva-lo ao karaoke ou ensinar-lhe a forma de dança local (que dá para todas as músicas). Pode contacta-lo em ryansoiradjo@yahoo.com ou pela sua página de Facebook “Ryan Happy Tours”.

 

Uma foto e uns chinelos esquecidos

Monsoon Rain

Num dos meus últimos dias de viagem por Myanmar, de regresso a Yangon, fizemos um grande desvio para visitar um belo templo. Este foi um dia sério de monção. Quando se tem vontade de gritar – já chega!

Ah, pois… Já bem no fim da estrada, vi que não tinha os chinelos. Ficaram à porta de um dos templos. Naquela operação de tira chinelos põe chinelos tão típica do Sudeste Asiático. Vá, meia volta que não fico sem chinelos!

Mas, nem tudo foi mau. No caminho de regresso, à estrada principal, vim entretido a “captar o clima”. O que acabou por dar esta foto, uma das minha preferidas da viagem. Daquelas que nos fazem mesmo viajar.